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Tecnologia, aliada ou inimiga?

Tecnologia como aliada ou inimiga? Entenda os impactos da IA e do uso excessivo da tecnologia

Elizabeth Vasconcelos
Sócia-Diretora / Managing Director

Ano novo, hora de pensar em compartilhar algo novo com vocês! #SQN. O assunto é o mesmo que você tem visto mundo afora: o bom e o mau uso da tecnologia. E por que eu escolhi esse tema (tão falado) para conversar com você? Porque o meu objetivo aqui é simples: provocar uma reflexão sobre como estamos usando a tecnologia nas nossas vidas — e o que isso diz sobre nós.

O uso da tecnologia nas escolas: uma mudança de comportamento

No final do ano passado, recebi um comunicado da escola das minhas filhas informando que, a partir deste ano, o uso do celular estaria proibido para as turmas do ensino infantil, fundamental I e II. Isso mesmo: celular proibido na escola.

Segundo a escola, a intenção é desenvolver hábitos responsáveis de utilização do celular de acordo com cada faixa etária, de modo que ele não concorra com o tempo de convivência dos alunos na escola.

Tenho visto essa mesma preocupação se expandindo para outros ambientes — em rodas de amigos, artigos sobre saúde mental, consultórios médicos, podcasts… A pauta do uso consciente da tecnologia está por toda parte.

A tecnologia impacta nosso comportamento — isso é fato

Não é novidade para ninguém que a tecnologia molda o comportamento humano. A pergunta que fica é: como aproveitar todos os benefícios que ela traz, sem perder de vista que somos seres sociais, humanos, com necessidade de contato físico e presença real?

Você já ouviu falar em vícios comportamentais digitais?

Um dos impactos mais preocupantes da era digital é o crescimento dos vícios comportamentais — comportamentos repetitivos e compulsivos, que continuam mesmo diante de consequências negativas. Eles são semelhantes aos vícios químicos, porque envolvem a liberação de dopamina, aquele neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa imediata.

Alguns exemplos:

  • Apostar dinheiro em jogos mesmo quando já perdeu o controle.
  • Fazer compras por impulso de itens desnecessários.
  • Comer exageradamente, sem fome.
  • Trabalhar sem parar, mesmo estando exausto.
  • Passar horas em redes sociais ou rolando a internet sem perceber o tempo passar.

Esses vícios, especialmente os relacionados ao uso excessivo da tecnologia, afetam a saúde mental e física, as relações pessoais e até a performance no trabalho. Mas será que a culpa é da tecnologia? Ou do nosso comportamento diante dela?

O problema não é a tecnologia. É o nosso uso desequilibrado

Não dá para viver sem tecnologia em pleno século 21 — e nem deveríamos. A questão está no “não conseguir desligar”. Está no exagero. Está em viver no automático.

A gente precisa prestar atenção em como e quanto estamos conectados. Sem isso, corremos o risco de nos tornarmos menos produtivos, mais isolados e vulneráveis emocionalmente.

Quantas vezes você já se pegou rolando o feed do Instagram ou TikTok e, quando se deu conta, já tinham se passado uma, duas horas? E mais: quanto disso realmente agregou algo útil à sua vida?

Bolhas sociais, algoritmos e visões de mundo distorcidas

Tem ainda o efeito das bolhas comportamentais — quando os algoritmos passam a mostrar só o que a gente já acredita, reforçando visões de mundo que não são confrontadas com o diferente.

A gente passa a viver em um “loop” de conteúdo que confirma nossas opiniões, nos distancia de visões diversas e nos impede de dialogar com quem pensa diferente. Isso é um dos efeitos mais sutis e perigosos da tecnologia mal utilizada.

A inteligência artificial veio para ficar — e exige atenção

Outro ponto que me chama a atenção é o avanço da inteligência artificial (IA). Ela está cada dia mais sofisticada, e com isso vêm preocupações legítimas sobre dependência, criatividade limitada e até perda de autonomia no pensar e decidir.

A IA pode ser nossa aliada em muitos processos: automatiza tarefas, sugere caminhos, agiliza buscas, até ajuda na criação. Mas se nos apoiarmos demais, existe o risco de atrofiarmos nossa própria capacidade criativa, de memória, de tomada de decisão.

Exemplos do uso da IA hoje:

  • Robótica: cirurgias, assistência a idosos, linhas de produção.
  • Automação de tarefas administrativas.
  • Análise de dados: identificação de padrões e tendências.
  • Reconhecimento de imagem, voz e texto.
  • Saúde e diagnóstico.
  • Educação personalizada.
  • Carros autônomos e transporte inteligente.

A inteligência artificial está transformando nossa sociedade. E sim, ela pode melhorar muito a qualidade de vida. Mas, para isso, precisa ser desenvolvida e usada com ética, responsabilidade e bom senso.

Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR): oportunidades e perigos

Duas tecnologias que também estão crescendo e chamando atenção são a Realidade Virtual (VR) e a Realidade Aumentada (AR).

A VR permite criar mundos virtuais imersivos, e a AR insere elementos digitais no mundo real. Ambas têm aplicações incríveis: na educação, em treinamentos, na medicina, nas vendas e no entretenimento. Mas, como tudo na vida, têm seus riscos.

Em janeiro, foi registrado no Reino Unido o primeiro caso de violência sexual no metaverso. Um caso virtual, mas com consequências psicológicas reais. Isso mostra o quanto ainda temos que evoluir na legislação e na educação digital.

Além disso, o uso excessivo da VR pode causar dependência ou até distorções da realidade. A AR pode ser usada para manipular informações, criar fake news visuais e enganar os sentidos.

Mas também não dá para ignorar os benefícios

Essas tecnologias, quando bem aplicadas, têm um potencial gigante de nos oferecer experiências que antes pareciam impossíveis:

  • Visitar lugares exóticos sem sair do lugar.
  • Acelerar a recuperação de pacientes internados com experiências positivas em VR.
  • Aprender de forma interativa e envolvente.
  • Visualizar estruturas complexas ou situações históricas com realismo.

Como fazer com que a tecnologia siga sendo uma aliada?

Paraa finalizar, deixo aqui algumas dicas práticas para manter o equilíbrio no uso da tecnologia:

  • Estabeleça limites de tempo de uso para redes sociais, celular e internet.
  • Use VR e AR com moderação.
  • Faça pausas frequentes (5 minutos a cada 30, por exemplo).
  • Reserve momentos do dia sem tecnologia: antes de dormir, nas refeições.
  • Faça atividades offline: caminhe, leia, converse.
  • Seja crítico com o que consome online.
  • E se estiver se sentindo viciado, procure ajuda profissional.

A tecnologia tem dois lados. Ela conecta e isola. Facilita e atrapalha. Ensina e desinforma. Traz entretenimento e ansiedade. Tudo depende de como usamos.

Consegue perceber como o bom ou mau uso só depende da gente?

Esteja presente. Escolha com consciência. Use a tecnologia a seu favor. Viva o que é real.

 

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